A Caritas Brasileira–RS vem promovendo desde 2010 a recuperação de fontes de água de agricultores familiares através de mutirões comunitários, envolvendo famílias, escolas, lideranças, gestores públicos, técnicos agrícolas e pessoas interessadas. Essa ação consiste na limpeza, proteção de tijolos ou tubos, cobertura com telhas, isolamento da área (cercas) e plantio de árvores nativas, priorizando-se fontes mais precárias e que servem mais famílias, visando água de melhor qualidade.

O projeto oportunizou a recuperação ou proteção de 160 fontes nas propriedades da agricultura familiar em 7 municípios gaúchos. Em 2013 foi certificado como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil.

 

 

A - Informações gerais

 

INÍCIO: Fevereiro de 2010 (em andamento)

ENTIDADE EXECUTORA: Cáritas Brasileira - Regional Rio Grande do Sul.

PARCEIROS: Cáritas Diocesanas e ParoquiaisEmpresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER; Sindicato de Trabalhadores Rurais e Sindicatos da Agricultura Familiar; Escolas da Rede Municipal e Estadual dos municípios onde se desenvolve o projeto; Administrações Municipais, através das Secretarias: de Educação, da Agricultura, de Obras, de Desenvolvimento Social – CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) de Meio Ambiente, de Saúde; Universidades com atuação nas regiões do projeto: Universidade de Cruz Alta, Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA (São Gabriel), Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS; Igrejas e entidades que desenvolvem ações sociais nos territórios

APRESENTADO POR: Jacira Teresinha Dias Ruiz, Miele Ribeiro, Heloisa Azevedo e Orildo Carlos Basolli

RECURSOS: Terceiros

FAIXA DE VALOR: Até U$ 5 mil

CATEGORIA: Projeto

ÁREA TEMÁTICA PRINCIPAL: Meio ambiente

PALAVRAS-CHAVE: ; Planejamento Rural;Proteção e Manutenção dos Recursos Hídricos Educação Ambiental; Florestas Nativas; Áreas de Proteção Permanente; Agricultura Familiar.

PÚBLICO-ALVO: Agricultores familiares, sindicatos de trabalhadores rurais, lideranças comunitárias, escolas municipais

ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA: Microrregional

ÁREA ESPECÍFICA DE IMPLANTAÇÃO: 

Municípios da Microrregião de Vacaria: Paim Filho, Maximiliano de Almeida e São João da Urtiga;

Municípios da Microrregião de Cruz Alta: Salto do Jacuí, Jacuizinho e Estrela Velha; e

Municípios da Microrregião de Bagé: Santa Margarida do Sul 

 

B - Descrição da prática

 

1- ANTECEDENTES

Em 2010, quando iniciou o projeto, o Estado do Rio Grande do Sul passava por uma grave crise hídrica, agravada pelas constantes estiagens com prejuízos econômicos e maior empobrecimento das comunidades já vulneráveis. Apesar de receberem poucos investimentos, a agricultura familiar e pequenas propriedades rurais do Estado são responsáveis por 70% da produção de alimentos, necessitando de um maior reconhecimento e apoio.

Segundo o censo agropecuário de 2006 (IBGE, 2009) no estado do RS há um total de 441.467 estabelecimentos, sendo que destes, 85,75% (378.546 estabelecimentos) estão em mãos de produtores familiares e apenas 14,25% (62.921 estabelecimentos) são de produtores não familiares.

Porém a falta de água em diversas propriedades rurais torna inviáveis a produção, traz prejuízos às famílias, levando a muitas delas buscarem a cidade pensando ser alternativa. A maioria das fontes de água mapeadas em projeto piloto, no município de Paim Filho, encontravam-se abandonadas, sem a adequada proteção. 

 

2- OBJETIVO GERAL

Contribuir para preservação dos recursos naturais e para o desenvolvimento sustentável das propriedades da agricultura familiar.

Objetivos específicos:

- Implementar a recuperação de fontes de água como experiências prático-pedagógicas nas propriedades da agricultura familiar;

- Incentivar processos de trabalho coletivo através de mutirões, como forma de multiplicação de saberes e práticas sociais; e

- Realizar plantio de árvores nativas como forma de preservação dos ecossistemas locais.

 

3 - SOLUÇÃO ADOTADA

Para recuperar fontes de água é preciso conhecer a realidade da comunidade e da propriedade de agricultura familiar. Técnicos agrícolas, sindicatos, os próprios agricultores e os agentes sociais colaboram para identificação dos locais e das fontes.  Após identificação e diagnóstico das fontes e com orientação técnica inicia-se o processo de recuperação.

A partir da participação dos próprios produtores e agricultores familiares foram realizadas as seguintes ações:

1- mutirões de limpeza do entorno das fontes,

2- construção de proteção com tijolos em volta da fonte, cobertura com telhas,

3- cercamento para proteção de animais,

4- plantio de árvores nativas e orientações para manutenção das mesmas.

O processo de abordagem dos beneficiados se deu a partir de proposta sobre levantamento de identificação dos recursos hídricos existentes na comunidade e em cada familiar, com foco direcionado às condições de qualidade dessa água e seu uso e consumo.  A partir da adesão e das informações retornadas, foram analisadas as condições e uso de cada recurso identificado. A seguir, foram selecionadas as fontes em estado mais precário e, com o apoio técnico da Empresa Técnica de Extensão Rural - EMATER, foram definidas as intervenções e tecnologias mais adequadas para cada situação, com o mínimo de intervenção no ambiente natural. Todos esses passos envolveram os parceiros, as famílias e as comunidades locais.

Além do apoio da EMATER, igrejas contribuíram com apoio de infraestrutura e algumas com recursos financeiros. As prefeituras aderiram com apoio técnico e de maquinaria, quando necessário, e os Sindicatos da Agricultura Familiar com apoio ao levantamento da situação dos fontes e acompanhamento das ações de recuperação. A Caritos do Rio Grande do Sul participou com aportes financeiros.

As cisternas foram propostas e construídas em espaços comunitários e familiares, priorizando as escolas como espaços para envolver os alunos em atividades pedagógicas relacionadas ao meio ambiente, sustentabilidade, reaproveitamento da água, entre outros. Foram desenvolvidas oficinas para apresentar a tecnologia e, no processo de construção, as comunidades, famílias e estudantes se envolveram em forma de mutirão.

O acompanhamento dessas iniciativas é realizado através de visitas dos articuladores do projeto, para verificar como está sendo utilizada a água, tanto da cisterna, como das fontes, e orientar sobre o cuidado com a preservação das mesmas.

.

4 - RESULTADOS ALCANÇADOS

a- Recuperação de 162 fontes de água em diversas propriedades rurais; 

b- Instaladas e construídas 10 cisternas; 

c- Realizados oito mutirões de limpeza, bem como com plantio de mudas nativas. 

d- Resgate da memória sobre as formas de uso de água dos antepassados;

e-Consciência ambiental ampliada principalmente por parte da juventude; 

f- Preservação ambiental em especial dos recursos hídricos 

g- Acesso a água de qualidade contribuiu para permanência das famílias na área rural e produção de alimentos; 

h- Valorização da água e do cuidado do meio ambiente como estratégia de desenvolvimento sustentável. 

i- Redução na demanda do poder público com investimentos em carros pipa, racionalização de água, perfuração de poços artesianos. 

A ampliação de municípios para multiplicação dessa boa prática em mais seis municípios, sendo 3 da região de Vacaria (Paim Filho, Maximiliano de Almeida, São João da Urtiga), 3 da região de Cruz Alta (Salto do Jacuí, Jacuizinho, Estrela Velha) e 1 da região de Bagé (Santa Margarida da Sul), todas predominantemente rural. 

A  recuperação de fontes de água, além da construção de cisternas, também gerou integração, reforço de laços comunitários, solidariedade local e solução sustentável para agricultura familiar, com baixo custo. 

Em 2013 essa experiência da Cáritas RS foi certificada como tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil..

 

5 - RECURSOS NECESSÁRIOS

Recursos humanos:

(1) técnico de nível superior para coordenação pedagógica, monitoramento e avaliação das atividades desenvolvidas.

- (1) técnico, agente local da Cáritas diocesana, nível médio, para viagens de campo e acompanhamento ‘in loco’ das atividades e visitas às propriedades de agricultura familiar.

- Extensionista Rural - orientar a recuperação e preservação de fontes de água. Pedreiro (contrapartida da família – oferta do saber da comunidade) - construir ou recuperar fontes de água.

 

Recursos materiais: aquisição de mudas de árvores nativas para replantio nas áreas degradas e para proteção do entorno das fontes de água, material de construção para a restauração/construção de fontes de água e cisternas .

 

Material gráfico: elaboração e impressão de folders / panfletos para divulgação das atividades;02 veículos;04 computadores notebook;03 GPS;Máquinas fotográficas;

 

 

6 - TRANSFERÊNCIA

A Comissão Pastoral da Terra tem replicado essa tecnologia junto a famílias da agricultura familiar acompanhadas por eles e a experiência tem despertado o interesse em outros regionais da Cáritas Brasileira. Contudo, a ação concreta e a observação prático-pedagógica dos resultados possibilitaram a multiplicação de saberes e práticas entre as pessoas.

Esses mutirões foram a essência da replicabilidade dessa ação social, potencializando resultados, replicando técnicas e formas de trabalho, sobretudo na área do cuidado com o meio ambiente. 

Diálogos entre diferentes atores, oficinas, palestras em escolas para incentivo da participação da juventude, multiplicadores da própria comunidade, folhetos informativos também foram formas de transferência. 

 

7 - LIÇÕES APRENDIDAS

A recuperação das fontes é uma ação simples, efetiva, além de propiciar uma maior produção de alimentos, tanto para consumo como para comércio, e desenvolvimento sustentável de pequenas propriedades rurais.

Consiste em uma prática de fácil replicação, baixo custo e por trazer benefício para as famílias e para o ecossistema/biodiversidade além de incremento de renda; - melhoria na qualidade da água na propriedade e no entorno com impacto na produção de alimentos e para o uso das famílias, construção de parcerias e valorização de práticas populares com os mutirões, benefícios para as famílias e para a biodiversidade e não esperar só pelo poder público ou pelos outros.

Entre os entraves ao projetos destaca-se a dependência da burocracia das administrações trouxe atraso e desgaste; - em alguns casos, houve desinteresse das famílias beneficiadas pela recuperação de fontes, em participar de atividades de debate e formação. 

 

   

Há possibilidade de visita à prática em qualquer época, mediante agendamento.

 Sim.Mas o período preferêncial situa-se entre março a dezembro com agendamento prévio de pelo menos 15 dias

 de visitantes:

Número máximo de visitantes: 30. 

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