O projeto Carbono Social em Rede desenvolve um trabalho de preservação e valorização ambiental, integrado a ações de desenvolvimento sócio-econômico territorial. Articula ações com povos tradicionais do campo, empresas e instituições comprometidas com a preservação ambiental.

O objetivo central foi a implementação de um programa de preservação e recuperação de áreas nativas nas propriedades de agricultores familiares e terras indígenas no estado de Santa Catarina, articulado ao desenvolvimento de metodologia de pagamentos por serviços ambientais, construindo uma rede de preservação e desenvolvimento socioambiental.

 

A - Informações gerais

 

INÍCIO: 01/2011 (em andamento)

ENTIDADE EXECUTORA: Associação Vianei de Cooperação e Intercâmbio no Trabalho, Educação, Cultura e Saúde - AVICITECS

PARCEIROS: Associação dos Municípios da Região Serrana - AMURES, Consórcio Intermunicipal Serra Catarinense - CISAMA, Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC,
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC Campus Curitibanos, Programa Educação Tutorial - PET Ciências Rurais, Conselho de Missões entre Povos Indígenas - COMIN

APRESENTADO POR: Matheus Nunes da Silva e José Luiz Carraro

RECURSOS: Terceiros

FAIXA DE VALOR: Entre US$ 10 mil e US$ 15 mil

CATEGORIA: Projeto

ÁREA TEMÁTICA PRINCIPAL: Meio ambiente

PALAVRAS-CHAVE: Agricultura Familiar; Povos Tradicionais; Indígenas; Aquecimento Global; Mercado Voluntário de Carbono; Pagamento por Serviços Ambientais; Recuperação de Áreas Degradadas; Responsabilidade Socioambiental; Rede Socioambiental; Educação Ambiental.

PÚBLICO-ALVO: Agricultores familiares e povos indígenas no meio rural de Santa Catarina

LOCALIZAÇÃO: Área rural e urbana

ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA: Microrregional

ÁREA ESPECÍFICA DE IMPLANTAÇÃO: Municípios de Anita Garibaldi, Bocaina do Sul, Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Brunópolis, Campo Belo do Sul, Capão Alto, Cerro Negro, Curitibanos, Doutor Pedrinho, José Boiteux, Lages, Otacílio Costa, Painel, Palmeira, São José do Cerrito, Urubici.

 

B - Descrição da prática

 

1- ANTECEDENTES

O Projeto Carbono Social em Rede foi concebido no ano de 2010 a partir da observação das reais implicações da legislação florestal na agricultura familiar e povos tradicionais do campo no estado de Santa Catarina. Para regularização das propriedades rurais existia a necessidade do abandono de áreas até então produtivas, gerando um ônus para a renda da família agricultora e um bônus, para toda sociedade, em virtude dos serviços ecossistêmicos (aumento da biodiversidade, sequestro de carbono, qualidade da água, etc). De posse desta constatação, o Centro Vianei construiu a metodologia Carbono Social em Rede que proporciona a adequação ambiental das propriedades e o pagamento por serviços ambientais, culminando com o estreitamento das relações campo/cidade e a valorização da agricultura familiar e povos tradicionais do campo perante a sociedade. 

 

2- OBJETIVO GERAL

Criar uma rede de recuperação e conservação ambiental em propriedades de agricultores familiares e povos tradicionais indígenas, com a contribuição de pessoas e empresas da sociedade em geral, possibilitando a fixação de carbono, a conservação ambiental, o consumo consciente e o fortalecimento de práticas de economia solidária e agroecológicas, e consolidando a entrada destes povos no mercado voluntário de carbono como prestadores de serviços ambientais e guardiões do patrimônio ambiental.

 

3 - SOLUÇÃO ADOTADA

A metodologia do projeto Carbono Social em Rede preconiza:

- A construção de viveiros em escolas do campo visando à produção de mudas de árvores nativas e a educação ambiental, de forma multidisciplinar, com crianças e jovens. |Estas informações são repassadas para seus pais, na grande maioria agricultores;

- Com as mudas produzidas, os técnicos do Centro Vianei realizam visitas aos agricultores familiares e povos indígenas para planejamento da adequação ambiental das propriedades. A família é cadastrada no software do projeto, as mudas são entregues com etiqueta com numeração em série e plantadas pelos agricultores sob supervisão dos técnicos do projeto;

- Após o plantio, uma equipe qualificada realiza vistoria das áreas e coleta fotos e coordenadas das mudas plantadas aparecendo sempre a etiqueta com respectivo número de controle (garantindo que não haja dupla contagem);

Realizadas estas etapas, as mudas dos agricultores são ofertadas no mercado voluntário de carbono, seguindo a metodologia do projeto Carbono Social em Rede,  através de mecanismos de adoção online e visitas a empresas e organizações. Os recursos captados são utilizados na remuneração da família protetora da árvore (serviço ambiental) e na manutenção do projeto.

As empresas e eventos que compensam suas emissões através do projeto recebem um selo do projeto Carbono Social em Rede e um certificado que atesta a quantidade de CO2-e que foi neutralizado naquele ano ou evento. Além disso, é possível verificar as informações de cada árvore plantada e adotada pela empresa ou evento, dando transferência e evidências concretas de quando, onde, quem e como o CO2-e foi compensado.

 

4 - RESULTADOS ALCANÇADOS

O projeto atende 1300 famílias do campo, recuperou mais de 600 hectares com árvores nativas, distribuiu mais de 500.000 árvores nativas, remunerou mais de 150 famílias pelos seus serviços ambientais, através da compensação das emissões de 8 empresas e 3 eventos, além da adoção direta de 60 árvores de pessoas físicas via Internet, totalizando 500 toneladas de CO2-e compensados em 2014.
A captação de recursos, e sua distribuição aos parceiros do campo, iniciada em 2014 é indispensável para o fortalecimento e manutenção do projeto, como uma opção no processo de valorização dos povos campesinos, da educação ambiental, da recuperação de áreas degradadas e geradora de trabalho e renda no campo.  A região e o Estado de Santa Catarina têm uma forte demanda pela recuperação de áreas degradadas, principalmente nas propriedades familiares.
Para atingir esses objetivos, a questão de visibilidade do projeto é essencial. Já é prática do projeto o trabalho de divulgação em seminários, cursos, dias de campo, matérias jornalísticas, revistas, palestras etc. Podemos citar, que na primeira fase do projeto, fomos entrevistados pelo jornal Nacional da Rede Globo, pelo jornal da Rede Bela Aliança de Rio do Sul duas vezes, pela TVAL - TV da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e pelo programa Sustentabilidade da Rede Barriga Verde. Participamos também em vários programas de rádio regionais. Os resultados também foram apresentados em eventos científicos, inclusive internacionais, como o I World Congress on Agroforestry, que foi realizado na Índia em 2014. E a presença do projeto é grande e marcante na WEB, sendo que nosso site registra mais de 10.000 visitas mensais.

 

5 - RECURSOS NECESSÁRIOS

Equipe: Formação nas áreas de agronomia, florestas e/ou meio ambiente. Profissionais na área de sociologia e informática são desejáveis.
Instalações: Escritório que comporte ao menos 5 pessoas e seus respectivos equipamentos. Área externa para instalação de viveiro florestal.
Equipamentos: Computadores com acesso a internet; Impressora jato de tinta ou laser; Impressora termal para etiquetas; veículos para deslocamento até as propriedades rurais; câmaras fotográficas com receptor GPS; equipamento GPS/GNSS; geladeira ou câmara para armazenamento de sementes.
Insumos: Sementes de espécies florestais nativas; substrato para germinação de sementes; recipientes para produção de mudas; instrumentos para operação de viveiro florestal.

 

 

6 - TRANSFERÊNCIA

 Não foi efetuada nenhuma transferência até o momento.

 

7 - LIÇÕES APRENDIDAS

No processo de gestão do projeto enfrentamos e vencemos diversas questões. Com o auxilio de parcerias com prefeituras, escolas municipais e estaduais, universidades estaduais e federais, conseguimos maximizar os recursos do projeto. Destacamos a Universidade Federal de Santa Catarina, principalmente através do projeto PET: Ciências Rurais, Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC/Lages, o Instituto Federal Catarinense – IFC/Rio do Sul e o Conselho de Missão entre Povos Indígenas – COMIN. Essas parcerias acrescentaram uma capilaridade muito grande ao projeto e facilitaram muito os trabalhos, principalmente em locais distantes e isolados.

Desenvolvemos um sistema de informática próprio que administra vários aspectos do projeto. Desde a produção de mudas, com sua identificação, controle, acompanhamento de estoque, pedidos de mudas e compartilhamento de informações com os 6 viveiros de produção de mudas do projeto, passando pelo cadastro das famílias parceiras e posterior “comercialização” dos estoques de carbono junto aos parceiros empresariais. O sistema montado para gestão do projeto é bem versátil e eficiente, permitindo total transparência na captação de recursos para os agricultores. Para o futuro, planejamos sua ampliação, possibilitando a parceria com outras instituições em municípios e estados distantes. Na busca da eficiência operacional, também continuarão sendo utilizadas equipes locais, distribuídas nos municípios de atuação, reduzindo muito os custos de transporte, e aumentando a presença do projeto nas comunidades locais.
Na atual conjuntura do projeto, a consolidação da rede que liga povos do campo e empresas na busca pela responsabilidade socioambiental, é e continuará sendo o principal desafio. A busca de mais parceiros, da ampliação espacial da rede, da internacionalização da proposta, do aumento da captação de recursos. E principalmente, a busca por uma proposta de sustentabilidade da vida no campo e na cidade.

  

Há possibilidade de visita à prática mediante agendamento prévio, todos os dias úteis, das 14:00 às 18:00 horas. 

 

 de visitantes: Até 4 pessoas.

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