Realizado em parceria com associações de apicultores, o Programa de Apicultura e Meliponicultura tem como objetivo apoiar as comunidades locais, proporcionando o uso racional da biodiversidade, aliado à preservação da natureza através do desenvolvimento da apicultura e a meliponicultura, que trabalham espécies exóticas e nativas de abelhas. O Programa corresponde a uma importante alternativa para pequenos e médios produtores rurais, uma vez que a Klabin fortalece as associações que selecionam os apicultores, fazendo dessa atividade sua principal fonte de renda. 

 


O programa conta com 34 apicultores que fazem parte de 3 associações nos municípios de Telêmaco Borba, Arapoti e Ortigueira, proporcionando aumento de receita para os produtores locais e para as associações.

 

A - Informações gerais

 

INÍCIO: abril de 2005 (em andamento)

ENTIDADE EXECUTORA: Klabin S.A.

ENTIDADES PARCEIRAS: Associação Telemacoborbense de Horticultura e Apicultura - ATHA, Associação dos Apicultores de Ortigueira - APOMEL, Associação de Apicultores Campos Floridos - AAPICAF

APRESENTADO PORIvan Staicov

RECURSOS: Próprios e de terceiros

FAIXA DE VALOR: Entre US$5 mil e US$10 mil

CATEGORIA: Projeto

ÁREA TEMÁTICA PRINCIPAL: Inclusão sócio-produtiva

PALAVRAS-CHAVE: Apicultura; Floresta; Biodiversidade; Comunidades Locais; Pequena Propriedade.

PÚBLICO-ALVO: Pequenos produtores rurais, apicultores, associações de apicultores

LOCALIZAÇÃO: Área rural

ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA: Microrregional

ÁREA ESPECÍFICA DE IMPLANTAÇÃO: Municípios de Telêmaco Borba, Arapoti e Ortigueira, no Estado do Paraná

 

 

B - Descrição da prática

 

1- ANTECEDENTES

A partir de uma abordagem territorial ampla, observou-se a necessidade de interface entre ações, programas e iniciativas que gerassem impactos positivos ao território e às comunidades e que, por sua vez, também representassem ganhos em ativos tangíveis e intangíveis à Klabin.

A falta de cooperativas locais para produtos oriundos da floresta foi um dos "gaps" identificados pela companhia no processo de empoderamento local nas regiões próximas à Fazenda Monte Alegre, na região oeste do Estado do Paraná.

A atividade apícola neste território possuía um histórico valioso com relação ao tempo e quantidade de pessoas envolvidas, e por estar presente em todos os municípios da região. Também era uma atividade que reconhecidamente detinha grande potencial de ampliação, visto que a região dispõe de uma vasta área com cultivo florestal. Em 2005 foi realizado um projeto piloto para a melhor definição a adotar. 

 

2- OBJETIVO GERAL

Aproveitar o potencial da rica flora das áreas florestais, preservar a biodiversidade e promover a geração de renda nas comunidades locais.

Objetivos específicos:

  • Possibilitar renda extra durante a entressafra da floresta aos apicultores e associações;
  • Contribuir com o crescimento da apicultura racional e sustentável na região;
  • Contribuir com o processo de geração de empregos e melhoria de renda dos apicultores;
  • Viabilizar apoio à cadeia produtiva da apicultura mediante ações de transferência de tecnologias de ponta.

 

3 - SOLUÇÃO ADOTADA

A Klabin deu início ao programa em parceria com a Associação Telemacoborbense de Horticultura e Apicultura - ATHA, logo estendendo a parceira junto a outras duas associações nos municípios de Ortigueira e Arapoti. Através do programa, a empresa viabiliza o apoio à cadeia produtiva estruturando o uso racional e controlado dos recursos naturais, utilizando as florestas para impulsionar o desenvolvimento das cadeias produtivas que trazem benefícios ao meio ambiente e às comunidades, especialmente na geração complementar de renda, operando uma unidade de beneficiamento que prepara e distribui o mel e seus derivados de acordo com as exigências legais e de mercado.

Os apicultores são selecionados pelas associações parceiras, recebem qualificação profissional e diversificam suas atividades produtivas, gerando renda para suas famílias. Também são realizadas capacitações e a formação de agentes multiplicadores das práticas de reprodução controlada de colônias de abelhas nativas, em parceria com as associações citadas. Dentro do escopo do programa, são realizados ao menos dois eventos de capacitação aos apicultores por ano, onde são contratados especialistas para a realização de cursos aos associados.  Além disso, o programa capacita os produtores na adoção e padronização de processos de visitação e manejo das colmeias, ajustando o cronograma de atuação sem interferência nas atividades florestais.

As associações parceiras também fornecem os equipamentos, por meio da captação de recursos do governo, envolvendo os municípios, o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER e o Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA. 

Também estão entre as ações do programa o fornecimento de assistência técnica adequada aos apicultores envolvidos, o trabalho de melhoramento genético de rainhas, marketing e comércio dos produtos.

O programa auxilia na seleção e definição de áreas viáveis para implantação dos apiários/meliponários. Uma das etapas deste trabalho está relacionada à segurança no manejo e à minimização de possíveis acidentes com abelhas. Para isso, são utilizadas caixas-iscas para a captura de enxames migratórios que se alojam em locais habitados por pessoas. As caixas-iscas simulam as condições de uma colmeia padrão, que atrai as abelhas com uma solução de própolis e erva cidreira e que oferece abrigo ao inseto. Para evitar riscos de acidentes, as caixas-iscas são transferidas para os apiários. 

Juntamente ao programa de apicultura, onde são realizados trabalhos com abelhas exóticas adaptadas, são realizados investimentos na criação de abelhas nativas, conhecidas como indígenas, meliponíneos ou melíponas. 

 

4 - RESULTADOS ALCANÇADOS

Antes da implementação do programa, apenas 04 apicultores desenvolviam a atividade da região. Atualmente são 34 apicultores locais, mantendo 50 apiários instalados, com uma média de 25 colmeias em cada apiário. Desde o surgimento do programa, o aumento de receita para a Associação de Telêmaco Borba foi de 80% e para as Associações de Arapoti e Ortigueira foi de aproximadamente 30%. Entre 2006 e 2014, foram produzidas aproximadamente 34 toneladas de mel. 

Com o apoio dos parceiros Associação de Apicultores de Telêmaco Borba e Cooperativa Caminhos do Tibagi, o programa opera uma unidade de beneficiamento que prepara e distribui o mel e seus derivados de acordo com as exigências legais e de mercado. 

Outra vantagem é que a alta qualidade do mel abre novas oportunidades de trabalho na área de não madeireiros, pois há o aproveitamento potencial da flora em áreas da empresa e de entidades parceiras, valorizando os não madeireiros. Os apicultores ganham qualificação profissional e diversificam suas atividades, com maior geração de renda para suas famílias. 

As ações do programa são, contudo, dirigidas de forma a assegurar a preservação das abelhas nativas através da criação racional, multiplicando-as por meio da divisão de colônias. O trabalho com espécies nativas contribui efetivamente para a promoção da preservação dos ecossistemas, já que são responsáveis por 40 a 90% da polinização das espécies vegetais presentes. 

Já foram identificadas 22 espécies diferentes de abelhas nativas, entre elas a Jataí, Iraí e Mandaguarí, consideradas produtoras de mel de excelente qualidade e com propriedades inclusive terapêuticas. A Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), espécie nativa brasileira e presente na lista de espécies ameaçadas de extinção, pode ser encontrada nas florestas onde é executado o programa, no município de Telêmaco Borba.

 

5 - RECURSOS NECESSÁRIOS

Os apicultores e as associações financiam os equipamentos necessários para a condução do Programa.

A Klabin fornece placas de sinalização, adesivos e um veículo para monitoramento do Programa.

A equipe responsável pela implantação e manutenção do programa conta com uma gerente de operações e um supervisor técnico.

 

6 - TRANSFERÊNCIA

Inicialmente a Klabin mantinha parceria com apenas uma associação de apicultores, expandindo o trabalho posteriormente junto a outras duas associações. Faz parte do plano de ação do programa a expansão para as unidades produtivas da Klabin em Santa Catarina e São Paulo. A empresa, atualmente, está na fase de levantamento de informações para melhor planejar ações.

A empresa Florestal Vale do Corisco Ltda. buscou auxílio da Klabin e pretende iniciar a mesma atividade, a partir dos moldes do programa.

 

7 - LIÇÕES APRENDIDAS

Destacam-se como fatores positivos da prática:

  • Estímulo à trajetória histórica da região em relação à produção de mel;
  • Receptividade dos produtores ao Programa;
  • Incentivo à produtividade florestal da área (devido a fatores como clima, solo e insolação);
  • Constante capacitação técnica da atividade sempre traz inovações nas boas práticas de produção;
  • Possibilidade de prover o crescimento profissional e da atividade apícola na região;
  • Aproveitamento e valorização do potencial da flora existente nas áreas da empresa;
  • Contribuição para o aumento de renda dos apicultores;
  • Apoio à participação de iniciativas e projetos da empresa nas áreas de cidadania e responsabilidade social.

O Programa superou as expectativas iniciais, pois inicialmente seria conduzido apenas na Fazenda Monte Alegre (Telêmaco Borba, PR),. Porém hoje ele está presente em vários municípios da região de atuação da empresa, além da prevista expansão para os estados de SC e SP. 

Fatores Críticos:

  • Ausência de políticas públicas de incentivo à iniciativa;
  • Impossibilidade de atendimento a toda a demanda apresentada por parte dos diversos apicultores que procuram a empresa para aderirem ao programa;
  • Dificuldades na conscientização dos apicultores para que a atividade seja conduzida de forma profissional, pois a apicultura ainda é conduzida informalmente entre alguns grupos de apicultores.

 

Há possibilidade de visita à prática durante todos os meses do ano, com preferência para o período entre os meses de março e abril.

  de visitantes: até 04 pessoas por visita.

 

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