A implantação da Cantina de Vinho Colonial na propriedade da família Dal Prá objetiva viabilizar técnica e economicamente a pequena propriedade familiar através da agregação de valor ao cultivo da uva, gerando renda com a comercialização do produto in natura ou transformado (vinho e suco). 

  

Através da implementação da cantina de vinho colonial, mesmo com a redução da área produtiva em razão da partilha da terra tornou-se viável a manutenção da família no meio rural. 

 

A - Informações gerais

 

INÍCIO: abril de 2004 (em andamento)

ENTIDADE EXECUTORA: Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER

ENTIDADE CO-EXECUTORA: Prefeitura Municipal de Capitão Leônidas Marques - Estado do Paraná

PARCEIROS: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA; Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Estado de Santa Catarina - EPAGRI

APRESENTADO POROdilson Peliser

RECURSOS: Próprios e de terceiros 

FAIXA DE VALOR: Acima de US$ 25 mil (custo de implantação do pomar e cantina de vinho)

CATEGORIA: Unidade de Referência

ÁREA TEMÁTICA PRINCIPAL: Inclusão socioprodutiva

PALAVRAS-CHAVE: Fruticultura; Renda; Diversificação; Vinho Colonial; EMATER

PÚBLICO-ALVO: Agricultores familiares com pequenas áreas de terra disponíveis, que já desenvolvem ou tem interesse na implantação e desenvolvimento da vitivinicultura.

LOCALIZAÇÃO: Área rural

ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA: Municipal  

ÁREA ESPECÍFICA DE IMPLANTAÇÃO: Município de Capitão Leônidas Marques - Estado do Paraná

 

 

B - Descrição da prática

 

1- ANTECEDENTES

A família Dal Prá possui propriedade rural familiar típica, que tradicionalmente tinha como base da sua renda a produção de trigo, soja e milho. Por ocasião da sucessão familiar, a propriedade de 58 hectares foi partilhada com os filhos, visando mantê-los no campo. O Sr. Laire Dal Prá permaneceu, no ano de 2004, com uma área de 2,5 hectares, dos quais 0,7 hectares eram destinados ao cultivo de uva Bordô, Niágara e Isabel, com produção de vinho para atender ao consumo familiar. 

A significativa redução da área produtiva, por ocasião da sucessão, impactou diretamente na renda do casal. Esta situação apontou a necessidade de ampliação da área de plantio de uva, que passou de 0,7 hectare para 1,1 hectares, visando agregar valor a produção, uma vez que a uva bordô possuía baixo valor de mercado.

A produção de vinho colonial sempre se mostrou uma boa opção para a geração de renda aos agricultores familiares do município, representando uma atividade que agregava valor a produção de uva e que possuía atrativo valor comercial. A principal limitação relacionava-se a qualidade do produto, normalmente baixa, em razão de falhas existentes nas técnicas de elaboração ou da qualidade da matéria prima. 

A família sonhava em produzir seu próprio vinho, proporcionando uma nova opção de renda na propriedade e buscou alternativas para alcançar seus objetivos.

 

2- OBJETIVO GERAL

Viabilizar economicamente a pequena propriedade rural através da melhoria da qualidade da matéria-prima e agregação de valor com a produção e transformação da uva em vinho e suco. 

 

3 - SOLUÇÃO ADOTADA

As etapas para implantação do projeto foram: 

 

  1. Contato entre produtores interessados e equipe da assistência técnica do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER. Identificação do potencial produtivo da propriedade para definição de uma proposta de incremento da produção de uvas americanas, buscando aprimorar a qualidade da matéria-prima para produção de vinho colonial;
  2. Apresentação pela EMATER de cultivares com elevado potencial de produção na propriedade; 
  3. Excursão a propriedades produtoras de vinho colonial orientadas pela EMATER em municípios vizinhos;
  4. Definição das novas cultivares, tecnologias e calendário de atividades a ser implantados na área cultivada. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA acompanhou o processo de instalação da Unidade de Referência e deu o suporte necessário à transferência das tecnologias;
  5. Reuniões práticas para definição e acompanhamento da instalação das estruturas de produção e sistemas de sustentação;
  6. Produção de mudas de porta-enxerto e realização da enxertia no ano seguinte;
  7. Reuniões práticas sobre técnicas de condução, adubação e controle de pragas e doenças;
  8. Primeira produção de uva um ano e meio após enxerto das novas variedades;
  9. Instalação de uma cantina de vinho colonial ao final do ano de 2007.

 

Outras ações:

  • Participação no curso de elaboração de vinhos na Escola de Vinho organizado pela EMATER;
  • Capacitação e reciclagem, por parte da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Estado de Santa Catarina - EPAGRI, da equipe técnica da EMATER responsável pela implantação dos projetos de produção de uva e vinho na região oeste do Paraná. 

 

4 - RESULTADOS ALCANÇADOS

 

  • Ampliação da área de uva de 0,7 hectares para 1,1 hectares de uva;
  • Ampliação da renda bruta anual de R$ 4.000,00 com a produção de grãos para R$ 100.000,00 com a produção de uva e comercialização de vinho;
  • Produção anual de 12.500 garrafas de vinho no ano de 2014;
  • Geração indireta de emprego;
  • Redução do processo de erosão do solo através da implantação de cobertura permanente com vegetação natural;
  • Reutilização do resíduo da produção de vinho para adubação do pomar de uva.

 

 

5 - RECURSOS NECESSÁRIOS

- Estrutura para incremento da produção de uvas viníferas como palanques, arames, mudas, fertilizantes, agroquímicos;

- Mão-de-obra familiar;

- Equipamentos como pulverizador e trator (produção de uvas), pipas para fermentação, pipas para armazenamento, desengaçadeira, resfriador, bombas, garrafas e material para rotulagem (produção e envase do vinho). 

Obs.:  O projeto contou com a cessão de instalações da Prefeitura Municipal de Capitão Leônidas Marques, onde foi realizada parte da produção de mudas, visando reduzir a mão-de-obra dos agricultores. Porém esta não é uma exigência para execução do projeto. 

 

 

6 - TRANSFERÊNCIA

A Unidade de Referência foi utilizada para a difusão das tecnologias propostas em várias excursões realizadas, de diversos municípios da região. Por ano recebe em média 120 agricultores. Houve replicação desta prática em propriedades dos municípios de Braganey, Cascavel, Céu Azul e Lindoeste.

 

7 - LIÇÕES APRENDIDAS

Além da agregação de valor a uva, o vinho produzido pode ser comercializado durante o ano todo, diferente do produto in natura que tem um período curto de mercado. 

A dificuldade de registro da cantina junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA ainda constitui o maior entrave. Por ser uma cantina de pequena escala produtiva, o registro do produto elevaria os custos a ponto de inviabilizar economicamente o negócio. O aumento na escala de produção seria possível, porém não há garantias de que o mercado local absorveria o produto no curto prazo. Na produção de até 10 mil litros de vinho por ano é possível a venda direta na propriedade rural ou poucos pontos comerciais locais. 

Também é importante a assistência técnica permanente para acompanhamento aos produtores durante o processo de implantação e orientação contínua à produção. Da mesma maneira, há necessidade do agricultor estar consciente dos desafios a serem enfrentado relacionados as condições climáticas, recursos financeiros necessários e mão-de-obra. 

A calendarização das ações facilita o acompanhamento das atividades e o estabelecimento das responsabilidades entre o produtor e o técnico.

 

8 - ORIGINALIDADE DA PRÁTICA

Historicamente ela é executada pelos agricultores familiares das regiões oeste, sudoeste e sul do Estado do Paraná. O que foi agregado ao processo foi a estratégia metodológica desenvolvida e a qualificação do processo de produção da matéria prima e elaboração do vinho, baseada na tecnologia de produção de vinhos desenvolvida pela EMBRAPA Uva e Vinho, de Bento Gonçalves-RS. 

 

Há possibilidade de visita à prática, mediante agendamento, durante os seguintes períodos:

  • Julho / Agosto – tratamento de inverno, poda e degustação.
  • Dezembro / Janeiro – colheita, elaboração do vinho e degustação.

 

 

 de visitantes: de 01 a 25.

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