A cadeia produtiva do leite no Estado de Santa Catarina está alicerçada em diferentes sistemas produtivos, que por sua vez são identificados através do manejo e fonte da alimentação animal, nível tecnológico e da produtividade obtida. Dentre os sistemas produtivos, destaca-se o sistema de produção de leite a base de pasto, incorporado à agricultura familiar por se adaptar às condições climáticas e de relevo, gerando boa produtividade a baixo custo e se encaixando bem às características fundiárias de Santa Catarina. Visando incrementar a renda dos produtores, de forma sustentável, a prática tem como objetivo aumentar a eficiência da utilização e gestão dos recursos forrageiros afim de reduzir os custos associados à alimentação dos animais e elevar a produção de leite. Sua implantação ocorre através da utilização de pastagens perenes de alta produtividade, do manejo conservador do pasto com lotação rotativa e gestão/gerenciamento da propriedade.   

Dentre os resultados observados pela prática, destacam-se: maior eficiência na produção e colheita da pastagem pelos animais, passando das 5-7 t/ha de matéria seca de pasto para até 25 t/ha; respeito à fisiologia do pasto, elevando a qualidade da pastagem colhida pelos animais de 7 para 15% de proteína bruta; otimização da ingestão de pasto pelas vacas; aumento na capacidade de suporte da pastagem para o equivalente a 4,5 unidade animal por ha (2025 kg de peso vivo); aumento significativo na produtividade de leite de 4 até 10 a 13 L/dia; produtividades de até 15 mil L/ha por ano, melhoria no bem-estar dos animais; redução na incidência de mastite no rebanho; melhoria na qualidade do leite produzido; aumento da renda e bem-estar dos produtores.

  

A - Informações gerais

 

INÍCIO:  2001

TÉRMINO: Em andamento  

ENTIDADE EXECUTORA: EPAGRI-  Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina

PARCEIROS: Projeto Microbacias II e Programa SC Rural

APRESENTADO POR: Felipe Jochims

RECURSOS: Próprios e de terceiros

FAIXA DE VALOR: Até US$ 5 mil

CATEGORIA: Unidade de Referência

ÁREA TEMÁTICA PRINCIPAL: Agricultura

PALAVRAS-CHAVE: Bovinocultura de leite; manejo de pastagens; leite a pasto; método rotativo

PÚBLICO-ALVO: Técnicos e agentes de ATER, assim como produtores rurais. Indiretamente a prática tem influência no setor industrial por elevar a produtividade do sistema e da qualidade do produto. 

LOCALIZAÇÃO: Área rural

ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA: Estadual

MUNICÍPIOS: 133 municípios de Santa Catarina, distribuídos em todo território estadual.  

ÁREA ESPECÍFICA DE IMPLANTAÇÃO: As unidades de referência tecnológica (URT) selecionadas pela Epagri estão distribuídas em todo o território de Santa Catarina. Atualmente existem unidades instaladas em 133 municípios, totalizando 242 unidades de referência tecnológica. Na região Oeste de Santa Catarina são  151 URT, implantadas em 80 municípios distribuídos pela região. No Planalto Norte de SC existem 24 URT em 13 municípios. No Planalto Sul são 8 URT em 7 municípios. Na região do Alto Vale do Itajaí são 34 URT em 21 municípios e na Região do Litoral de Santa Catarina são 25 URT, instaladas em 12 municípios. Na totalidade existem unidades de referência tecnológicas da Epagri, trabalhando com produção de leite com base em pastagens, em 45,1% dos municípios de Santa Catarina.

 

B - Descrição da prática

 

1- ANTECEDENTES

O início da década de 1980 no Estado de Santa Catarina foi marcada pela migração dos agricultores integrados da suinocultura  para a bovinocultura de leite. Nessa época a atividade de produção de leite era realizada apenas para o autoconsumo, passando em pouco tempo a ser a principal fonte de renda das propriedades. Os incentivos à migração estavam ligados:  à capacidade da atividade em utilizar os recursos naturais e até as áreas não nobres das propriedades; ocupar a mão-de-obra familiar e; gerar renda mensal. Nesse cenário inicial, a quantidade e a qualidade de forragem disponível aos animais era limitante, proporcionando baixa produção. Além desse, outros problemas levaram a adoção da pratica do manejo rotativo nas pastagens, como os manejos “tradicionais” inadequados dos recursos forrageiros, usualmente associados a alta carga animal e superpastejo. Essa prática gerava outros agravantes, como a degradação das áreas, compactação e perdas de fertilidade do solo, perca de espécies vegetais de alto valor nutritivo e baixa produtividade animal, prejudicando a sustentabilidade da produção e das propriedades rurais.

Essas dificuldades e desafios nas propriedades motivaram a equipe da Epagri, por meio de seu corpo de pesquisadores e agentes de extensão rural, a pesquisar e promover a implantação de tecnologias e técnicas de produção de leite com baixo custo de alimentação, alto potencial produtivo e baixo impacto ambiental. Neste cenário, a utilização de pastagens perenes, aliadas à lotação rotativa para manejar as áreas e ao controle e gestão da produção de leite, despontam como características centrais de um Sistema de Produção de Leite a Base de Pasto.

  

2- OBJETIVO GERAL

Aumentar a eficiência da produção, utilização e gestão dos recursos forrageiros afim de reduzir os custos associados à alimentação dos animais, melhorar o bem-estar dos animais e elevar a produção leiteira afim de garantir a permanência das famílias no meio rural.

Objetivos Específicos: 

  • Fornecer de 70 a 80% da dieta das vacas proveniente de pastagens perenes;
  • Possibilitar o manejo eficiente de pastagens de alta produtividade pelo produtor de leite;
  • Conhecer e garantir, através da divisória de piquetes, o tempo de descanso de cada piquete para a recuperação da pastagem que foi consumida;
  • Reduzir a necessidade do uso de outros alimentos durante o ano, principalmente alimentos concentrados de alto custo;
  • Redução de riscos associados a variações climáticas, pois sistemas alicerçados em plantas perenes apresentam alta resiliência;
  • Melhorar ambiência e bem-estar dos animais;
  • Redução e humanização da mão de obra;
  • Melhorar as características físicas e químicas do solo, pela maior cobertura vegetal durante todo ano;
  • Garantir renda para a manutenção de um padrão confortável de vida para as famílias do meio rural, assim como garantir a sucessão familiar nas propriedades.

 

3 - SOLUÇÃO ADOTADA

Em termos gerais, o Sistema de Produção de Leite a Base de Pasto possui em seu eixo técnico as seguintes diretrizes:

    (1) utilização de pastagens perenes de ciclo estival com alta produtividade de matéria seca e sobressemeadura com pastagens anuais de inverno;

    (2) manejo das áreas com lotação rotativa dos animais com controle do período de descanso das plantas, assim como a manutenção de resíduos adequados na pastagem para um rebrote eficiente;

    (3) adubação e manutenção da fertilidade e características físicas do solo de acordo com as exigências das plantas;

    (4) água limpa e a vontade, suplementação mineral, bem estar animal e sanidade;

    (5) organização e controle da produção leiteira e uso estratégico de alimentos concentrados;

    (6) metas de manejo para entrada e saída dos animais, planejamento forrageiro e melhoramento ou incorporação de leguminosas na pastagem;

  (7) melhoria da genética do rebanho, levando em consideração recursos genéticos adequados aos sistemas de produção à base de pasto e condições climáticas.

O manejo das áreas com lotação rotativa dos animais consiste em subdividir uma área maior, onde a atividade está implantada (ou pretende-se implantar), em subáreas menores, denominadas piquetes. A divisão é realizada para que a biomassa de pasto do piquete seja consumida de forma controlada em um período de tempo pré-definido (usualmente meio a um dia por piquete). Após o pastejo e a meta de resíduo mínimo alcançada, esse piquete é fechado e os animais passam para o próximo. O tempo de ocupação e o intervalo de descanso é definido pelo número de subdivisões na área e pode variar, principalmente devido as diferenças climáticas nas diferentes épocas do ano e ao manejo utilizado, principalmente quanto ao resíduo de pasto mantido após a retirada dos animais. Usualmente, a Epagri indica utilizar um ou dois piquetes por dia, totalizando até 60 piquetes na área total disponível.

O número de piquetes é definido levando em conta dados de produção das pastagens coletados nas unidades de referência tecnológica nos últimos anos, pois é essa produção de pasto que irá determinar a capacidade de suporte das áreas. Como uma regra geral para a implantação do sistema, se deve considerar o consumo dos animais (de matéria seca; MS) como 3% do seu peso vivo, acrescido de uma quantidade de perdas de forragem (por pisoteio, dejetos, etc) de mais 2 a 3%. Sabendo a produtividade das pastagens (medido historicamente nas unidades), facilmente se obtém a quantidade de área para cada unidade animal no sistema. Esses dados de produção de pastagem são obtidos por meio de cortes na pastagem dentro de um quadro com área conhecida (usualmente 50 x 50 cm), na altura do pasto necessário para manutenção (rebrota/resíduo). Com peso de pasto obtido nesse quadro (em matéria seca), se obtém a disponibilidade de pasto do piquete para ser oferecida aos animais (peso do pasto do quadro x área do piquete, dividido pela área do quadro). Sabendo que o consumo do animal é 3% do seu peso vivo e que a pastagem sobre perdas de mais 3%, cada unidade animal (de 450 kg) necessitará de 27 kg de matéria seca de pasto por dia para sua alimentação. Dessa forma, a quantidade de pasto do piquete definirá a carga animal que esse piquete suporta. Para exemplificar, se a pastagem está produzindo 350 gramas em cada 1 m² e a necessidade do animal é de 27 kg/MS de pasto, o resultado é que a quantidade de área para alimentar cada unidade animal no piquete, por dia, é de 77,2 m².

Após a definição do tamanho das áreas dos piquetes é importante deslocar os animais de um piquete a outro, através do manejo rotativo, evitando situações de excesso de consumo de pasto em um mesmo piquete. No caso de uma unidade de referência com 60 piquetes, os animais utilizam um piquete no turno da manhã e outro piquete no turno da tarde, tendo o retorno a esses mesmos piquetes somente 30 dias depois. Dessa forma, por elevar a competição entre os animais e reduzir o índice de seleção de forragem pelos animais, aumenta-se a eficiência de utilização da pastagem. De um modo geral, indica-se consumir 50 a 60% da quantidade de pasto que tem no piquete, sendo que os outros 40% devem ser mantidos como resíduo para uma rebrota eficiente. Isso facilmente é controlado levando em consideração a altura da pastagem. Recomenda-se que o retorno ao piquete ocorra após o pasto desse local já ter se recuperado e esse tempo de retorno dos animais é diretamente relacionado com o resíduo mantido após a saída dos animais. De uma forma geral, nos períodos favoráveis, e mantendo resíduo indicado, os tempos para o retorno dos animais é muito inferior aos 30 dias, dependendo do manejo da pastagem.

O planejamento forrageiro da propriedade pode ser ainda aprimorado através da introdução de espécies de qualidade superior, como as leguminosas, ou com a introdução de sistemas de irrigação na pastagem. O controle e organização da produção leiteira também contribuem e são de extrema importância. De modo complementar, a organização e controle da produção leiteira, realizado por meio de planilhas eletrônicas fornecidas pela Epagri, também contribuem para o manejo do pasto na propriedade. Esse controle calcula a produção de leite por unidade de área, sendo uma excelente maneira de comparar as unidades de referência e indicam ao produtor o sucesso (ou não) na maneira em como a propriedade está sendo conduzida.

O cuidado com a sanidade dos animais, higiene das instalações, materiais e pessoal, fornecimento de água limpa, fresca e a vontade em todos os piquetes e o bem-estar animal devem ser contemplados no planejamento. Práticas como a disposição de sombra nos piquetes via implantação de árvores na pastagem (sistema silvipastoril), fornecimento de sal mineral à vontade e água fresca e potável são necessárias para que o plantel forneça a produtividade desejada. Além disso, pela melhora no ambiente em que os animais estão sendo mantidos, eles têm menos acesso a áreas com barro/dejetos ou solo descoberto, contribuindo para uma menor incidência de mastites ambientais no rebanho.

Essas práticas são implementadas pelos técnicos da Epagri em propriedades particulares selecionadas para servirem de unidades de referência tecnológica, distribuídas em todo o território Estadual. A distribuição das unidades se dá de acordo com a importância das cadeias produtivas de cada região. Em relação a seleção dos produtores, é levado em consideração o perfil do dono da propriedade, como liderança pró ativa, comprometimento para com o trabalho, idade (jovens na propriedade são prioridade), compromisso com as capacitações técnicas e com as metas e ações técnicas a desenvolver, capacidade de gestão e comprometimento com o acompanhamento técnico e econômico e comprometimento entre técnico e produtor. Parte do sucesso da prática vem sendo obtido na seleção dos produtores. Esses agricultores recebem orientação e acompanhamento periódico com visitas de técnicos a cada 15 dias, aproximadamente.

Após a implantação das URT e de um período produzindo dentro das indicações da Epagri (para coleta de dados e controle leiteiro), essa propriedade serve como modelo para a região para a transferência de tecnologia. Essa transferência é feita via dias de campo, visitações pelos próprios produtores ou associações de produtores da região ou “práticas” específicas de alguma tecnologia ou processo. As visitações nas URT são livres durante o ano, somente dependendo de contato prévio com o proprietário. Uma ou duas vezes ao ano a Epagri utiliza as URT para dias de campo, onde são demonstradas as tecnologias aplicadas no local e as mudanças na produção, assim como na rentabilidade da propriedade. Outro modo de transferência de tecnologia muito utilizado pela Epagri nas URT é a demonstração de práticas isoladas, que fazem parte e/ou são utilizadas naquela unidade (instalação de cercas elétricas ou sobressemeadura de anuais de inverno, por exemplo). Quando estas práticas e dias de campo são agendados, convites são submetidos a sindicatos rurais, cooperativas, prefeituras e propriedades da região.

 

4 - RESULTADOS ALCANÇADOS

Os principais resultados da implantação das técnicas do Sistema de Produção de Leite a Base de Pasto indicado pela Epagri são:    

  • Aumento na produtividade da pastagem de 5-7 t de matéria seca/ha para 22-25 t de matéria seca/ha (dependendo da forrageira os resultados podem ser ainda superiores);
  • Aumento na capacidade de suporte das pastagens dos tradicionais 0,8 UA/ha para até 4,5 UA/ha;
  • Elevação dos índices de qualidade da pastagem de 7-8% de proteína bruta no sistema tradicional para até 16-17% nos períodos de primavera/verão;
  • Redução da dependência de alimentos concentrados e conservados (silagem/feno) e possibilidade de suplementar os animais com maior eficiência produtiva devido ao controle leiteiro;
  • Aumento da produtividade média por animal de 3 a 4 L/dia para 10 a 13 L/dia, sem qualquer tipo de suplementação que não seja a mineral;
  • Melhorias na higiene dos animais e consequente redução na incidência de mastite devido a manutenção do animal em sistemas com abundante cobertura do solo (pastagem abundante);
  • Possibilidade de seleção dos animais por adaptação ao sistema por sua produção de leite, características sanitárias e intervalo entre partos;
  • A produtividade do sistema pode atingir até 15 mil L de leite por ano por hectare;
  • Na totalidade já estão instaladas 242 URT com pecuária leiteira no estado;
  • Para transferência de tecnologia são realizados um ou dois dias de campo por URT durante o ano, com a presença média de 35 produtores por dia de campo. Estima-se que por ano ao menos 8000 produtores têm acesso às tecnologias e conhecimentos ofertados pela Epagri.

 

5 - RECURSOS NECESSÁRIOS

Recursos Humanos

  • Equipe multidisciplinar para orientação técnica e acompanhamento: Equipe de pesquisadores do programa de pecuária da Epagri para análise dos dados coletados e resolução de possíveis problemas das unidades de referência e para a implantação e orientações o corpo de extensão do município em que a URT está instalada. Duas ou mais pessoas para a implantação das estruturas que irão compor os piquetes de manejo e uma ou mais para o manejo diário do rebanho.

Recursos materiais 

  • A quantidade de recursos irá depender dos objetivos da propriedade, assim como a disponibilidade de área e tamanho do plantel.
    Materiais utilizados para a implantação de piquete em 1ha:
    Considerando, a efeito de exemplo, uma divisão de 30 piquetes com 21 x 16 m (336m², para 4 unidades animal), se a cerca for com arame galvanizado ou fio eletroplastico e com apenas 1 fio, serão utilizados aproximadamente: 1275 m de arame liso ou fio eletroplastico; 130 tramas (uma a cada 10 metros), cada uma com 1 isolador elétrico; 23 moirões/postes para os cantos ou início das linhas, cada um com um isolador elétrico do tipo “carambola”; 1 eletrificador de cerca; 1 aste de cobre para o aterramento; 8 cochos para água com bóia (1 para quatro piquetes); e aproximadamente 80 m de manga para água.
    Para a implantação de novas variedades de forrageiras, a recomendação é plantar as mudas das pastagens a cada 50 cm de distância, totalizando cerca de 20.000 mudas/ha. Devem ser realizadas análises periódicas de solo para correção do pH e níveis de fertilidade, de acordo com recomendações da literatura específica. No caso da compra de mudas em estabelecimentos comerciais da região Oeste de SC, o custo por ha fica em torno de R$ 1500/ha.

 

6 - TRANSFERÊNCIA 

 

Inicialmente a prática foi implementada em propriedades de referência tecnológica da Epagri, principalmente na região com a maior concentração de bovinos leiteiros na época (região oeste de SC). Nessas propriedades realiza-se visitações e “dias de campo” com os produtores de cada região. Organizadas em conjunto com as prefeituras e secretarias da agricultura dos municípios, objetiva-se levar o maior número de agricultores possível para conhecer o sistema produtivo à base de pasto. Uma das unidades com alto fluxo de visitantes está no município de Concórdia, onde foi instalada a primeira URT da Epagri e hoje é um dos municípios com maior produtividade de leite de SC. Assim essa prática foi sendo disseminada em todas as regiões produtoras do Estado e na atualidade, além das 242 unidades de referência da Epagri, são milhares as propriedades que utilizam, ao menos, os princípios que são indicados pela Epagri. As cooperativas da região constantemente entram em contato com o corpo de pesquisa da Epagri para ministrar treinamentos e palestras acerca da temática para que os técnicos das referidas empresas possam melhorar sua expertise no assunto e aplicar o conhecimento nas propriedades das famílias filiadas a aquelas cooperativas. No último ano, por exemplo, a equipe de pesquisa recebeu mais de 250 pessoas, entre técnicos e produtores rurais de diversas cooperativas (Cooperalfa, Unitagri, entre outras) na unidade de pesquisa, para reuniões, palestras e demonstrações acerca da temática de produção a pasto. O sucesso pode ser observado na região pela grande quantidade de produtores que aderiram a prática e pelo fato de que, atualmente, Santa Catarina, apesar da pequena área territorial, é o 4º produtor nacional de leite industrializado. Além disso, a região oeste produz 76% do leite de SC. A grande maioria desse montante produzido é oriundo das pequenas propriedades rurais com base familiar, que representa até 85% dos produtores de leite do Estado. 

 

 

7 -LIÇÕES APRENDIDAS

 

A lição mais importante que adaptar conhecimentos científicos para desenvolver uma prática para manejar um sistema produtivo é que não existe uma única receita para resolver os problemas ou ajustar todo o sistema, também não existem formas “certas ou erradas”, pois todos os fatores estão interconectados e a intervenção em uma ponta do sistema reflete diretamente na outra. Sistemas biológicos respondem de formas diferentes de acordo com a condição de cada local. Além disso, é importante ressaltar que a pratica é sugerida, mas o gestor da propriedade é quem determina a aceitação ou não dela, e esse “fator humano” é extremamente importante para o sucesso ou não da atividade. Deve-se levar em consideração que o manejador tem emoções, problemas, uma base cultural, etc, o que faz com que cada um deles veja o sistema de um modo, cabendo ao agente técnico, além de conhecer a tecnologia a ser aplicada, atuar como “psicólogo” dos produtores. No entanto, após o entendimento da base da prática, os produtores se tornam autossuficientes e transmitem a prática para os demais conhecidos da comunidade, dando continuidade ao processo, inclusive incorporando outras tecnologias e processos até mais complexos que os indicados pela Epagri.

    

8 -ORIGINALIDADE DA PRÁTICA

A prática é uma junção de conhecimentos de diversas áreas relacionadas a fisiologia de plantas, produção animal e administração, adaptados as condições e realidade local. A prática baseia-se em diversas fontes, como os princípios de Voisin no manejo de pastagens, nos dados de interceptação luminosa das plantas da USP-ESALQ, manejo de pastagens e comportamento animal da UFGRS e UFSM, morfogênese e dinâmica de crescimento de gramíneas do INRA (França), fisiologia e exigências nutricionais das vacas do NRC e AFRC, entre outros. 

 

 

 

Visitações de segunda a sexta, em qualquer época do ano. Sem número máximo de visitantes. Necessário agendamento prévio com a gerência da Estação Experimental de Campos Novos

 

 

 

Assessoria Técnica e Editoração
Eng. Carlos Biasi - Oficial de Programas da FAO/ONU para a Região Sul do Brasil. 
Msc. Felipe Jhonatan Alessio - Assistente de Programas da Unidade de Coordenação de Projetos da FAO/ONU no Sul do Brasil.

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