O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) é uma proposta de transição para toda a agricultura familiar, dependente de insumos externos à propriedade, para sistemas mais limpos, equilibrados e autônomos. Em seu eixo técnico-cientifico tem como princípio fundamental, a promoção da saúde das plantas. Nele são respeitados os elementos básicos do Sistema de Plantio Direto: o revolvimento localizado do solo; a diversificação de espécies pela rotação de culturas; e a cobertura permanente do solo. Além da abordagem científica, em seu aspecto político-pedagógico, o SPDH é um tema gerador que possibilita mobilizar, conscientizar, organizar e articular os agricultores familiares e suas organizações com instituições públicas comprometidas com o de desenvolvimento rural de bases agroecológicas. As experiências do SPDH estendem-se por todas as regiões do Estado de Santa Catarina, comtemplam mais de 35 municípios e beneficiam aproximadamente 1.200 agricultores. A área total plantada em SPDH no Estado supera os 3.000 ha.  

 

Dentre os resultados estruturantes e quantitativos do SPDH destacam-se: diminuição média de 35% nas perdas por questões de padrão de qualidade e produção; enriquecimento na qualidade e na vida dos solos com um incremento de, no mínimo, 10 t M.S./ha-1 através da fitomassa de plantas de cobertura mantida na superfície do solo e posteriormente incorporada pela atividade da macro e microfauna; elevação nas taxas de infiltração de água no solo, eliminando problemas com erosão e reduzindo em média 80% no uso de água para irrigação; redução de custos de produção que vão de 50 a 100% sem diminuir a produtividade; redução e em muitas culturas eliminação do uso de produtos químicos nos cultivos; aumento expressivo da renda das famílias envolvidas no processo, em muitos casos ultrapassando 100%. 

  

A - Informações gerais

 

INÍCIO: Março de 1998

TÉRMINO: Em andamento  

ENTIDADE EXECUTORA: Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - EPAGRI

PARCEIROS: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

APRESENTADO POR: Marcelo Zanella

RECURSOS: Próprios e de terceiros

FAIXA DE VALOR: Até US$ 5 mil 

CATEGORIA: Projeto

ÁREA TEMÁTICA PRINCIPAL: Agricultura

PALAVRAS-CHAVE: SPDH; transição agroecológica; promoção de saúde de plantas; segurança alimentar e nutricional; inclusão sócio-produtiva; preservação ambiental.

PÚBLICO-ALVO: Os principais beneficiários são os agricultores familiares; técnicos de extensão rural e da pesquisa da Epagri e Embrapa (EMBRAPA/CNPH); professores e alunos das universidades parceiras (UFSC/CCA/Dep. Engº Rural, UDESC/CAV) Secretarias Municipais de Agricultura e organizações de trabalhadores rurais.

LOCALIZAÇÃO: Área rural

ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA: Estadual

MUNICÍPIOS: As experiências do SPDH estendem-se pelas mais diversas regiões do estado de Santa Catarina, a partir do Litoral (Águas Mornas, São Pedro de Alcântara, Antonio Carlos, Major Gercino, Anitápolis e Angelina), passando pela Serra Catarinense (Campos Novos, Curitibanos), região Sul Catarinense (Sombrio, Gravatal, Jaguaruna, Orleans, Urussanga, Criciúma, Pedras Grandes, Treze de Maio, Morro da Fumaça, São João do Sul e Santa rosa do sul), Alto Vale do Rio Itajaí (Ituporanga, Alfredo Wagner, Laurentino, Atalanta, Imbuia, Leoberto Leal e Aurora), Oeste (Chapecó, Seara, Planalto Alegre, Guatambú) e Extremo Oeste Catarinense (São Miguel Oeste, Bandeirante, Descanso).

ÁREA ESPECÍFICA DE IMPLANTAÇÃO: Comunidades rurais e propriedades produtoras de hortaliças em sistema convencional, orgânico e agroecológico, localizadas em todas as regiões do Estado, em áreas com diferentes relevos, condições econômicas e culturais.

 

B - Descrição da prática

 

1- ANTECEDENTES

A evolução do conjunto de práticas preconizadas no sistema convencional de produção foi orientada pela busca da produtividade e lucratividade a qualquer custo. Esse sistema de produção permanece enraizado nas propriedades catarinenses que cultivam hortaliças, tendo em seu eixo técnico: o monocultivo associado à excessiva movimentação do solo; a utilização indiscriminada de fertilizantes químicos e de agrotóxicos; e o manejo inadequado do solo, da água e das plantas. Ao longo dos anos, a repetição de tais práticas ocasionou acentuada degradação e perda de solo, redução na qualidade dos alimentos, da qualidade de vida no campo, contaminação dos recursos naturais e aumento no endividamento dos agricultores familiares junto às agências financeiras e casas agropecuárias. Essa era e, em grande proporção, ainda é a realidade de muitas propriedades catarinenses produtoras de hortaliças.

A partir destas dificuldades, um grupo de técnicos, constituído por pesquisadores e extencionistas da Epagri e, agricultores descontentes com a situação, se debruçaram no estudo e busca de soluções que pudessem reverter este quadro. As primeiras experiências em SPDH foram realizadas no ano de 1998 na Estação Experimental da Epagri em Caçador-SC. Nessa época, os agricultores vinham de duas safras de tomate com custos de produção maiores que as receitas de venda. As condições de prejuízo econômico, social e ambiental fomentaram a possibilidade de construir e praticar outro caminho de desenvolvimento.

O SPDH surgiu como uma proposta de intervenção capaz de responder ao quadro descrito, com redução nos custos sociais, econômicos e ambientais das lavouras e no estímulo ao protagonismo dos agricultores. Os resultados promissores na cultura do tomate despertaram o interesse de produtores e pesquisadores de outras culturas, difundindo pelo Estado a pesquisa e aplicação da prática nas lavouras de: cebola, chuchu, melancia, moranga, repolho, brócolis, couve-flor, entre outras.

  

2- OBJETIVO GERAL

O SPDH tem como objetivo central a transição da agricultura convencional para a agricultura agroecológica, através da construção coletiva e consolidação de um caminho para produção de alimentos limpos, promotores de saúde humana, proporcionando autonomia as famílias rurais, respeitando questões ambientais e promovendo o desenvolvimento rural sustentável.

Objetivos Específicos: 

  • Promover saúde e conforto as plantas através do manejo adequado do sistema, atendendo nutricionalmente as taxas diárias de absorção de nutrientes, rotação de culturas, adição anual de matéria seca superior a 10 t M.S./ha-1 em cobertura, revolvimento do solo restrito a linha de plantio, manejo adequado de adubos verdes cultivados e espontâneos;
  • Diminuir os impactos ambientais, os custos de produção e a dependência do agricultor em relação aos fatores externos da propriedade;
  • Reduzir até a eliminação do uso de agrotóxicos e adubos altamente solúveis;
  • Reduzir custos ambientais e de produção, mantendo e até aumentando a produtividade;
  • Mobilizar, conscientizar, organizar e articular os agricultores familiares e suas organizações com instituições públicas comprometidas com a produção de alimentos livres de agroquímicos;
  • Proporcionar maior autonomia dos trabalhadores na construção coletiva do processo de transição da agricultura convencional para um modelo de desenvolvimento rural com bases agroecológicas. 

 

3 - SOLUÇÃO ADOTADA

Os primeiros trabalhos em SPDH foram realizados na Estação Experimental de Caçador, em 1998, onde se iniciou a pesquisa com tomate e moranga híbrida. Nos dois primeiros anos de pesquisa organizaram-se as bases técnicas do sistema. Estes conceitos e práticas entraram na fase de maturidade a partir do ano 2000 na Estação Experimental de Ituporanga, através de estudos com cebola. Posteriormente, expandiu-se para a região da grande Florianópolis onde está concentrada a produção de hortaliças no Estado de Santa Catarina. Nesta região, foram realizados vários experimentos, principalmente nas Lavouras de Estudos (LEs) envolvendo as culturas de tomate, pimentão, melancia, moranga híbrida, chuchu, repolho, couve, brócolis, cebola, mandioquinha-salsa, alface, uva e maracujá.

As bases e fundamentos do SPDH estão estruturadas em dois eixos de atuação: político-pedagógico e técnico-científico. O plano político-pedagógico remota as primeiras atividades. O início do trabalho entre os pesquisadores, acadêmicos, extensionistas e produtores rurais é estabelecido por meio de um “contrato de trabalho”. Esse compromisso, com forte vínculo entre o extensionista e o agricultor, é formado por uma linha do tempo, onde ficam programadas as atividades para um ano, como por exemplo: as datas das capacitações e compartilhamento de experiências; implantação das Lavouras de Estudo (LEs); visitas de assistência técnica e extensão rural (ATER); viagens de estudo e encontros regionais e ao final; a definição de renovação do contrato para mais um ano. Percebe-se que a constituição do contrato vai muito além do fator organizacional, ele assume o papel de um instrumento político-pedagógico, que permite mediar conhecimentos técnicos, realizar avaliações periódicas e demonstrar de forma prática os avanços e desafios do SPDH. É importante destacar que para o funcionamento do contrato é fundamental que o agente de ATER também seja um pesquisador. 

De uma perspectiva técnica-científica e vinculado à abordagem político pedagógica, o SDPH tem como elemento central a promoção da saúde da planta. Para isso, são elencados alguns princípios norteadores:

  • Conforto da Planta: minimização dos estresses nutricionais, de salinidade, de disponibilidade de água, de temperatura, de luminosidade, de pH, de velocidade de difusão do oxigênio; utilização de arranjos espaciais associados à arquitetura do sistema radicular, ao tamanho da planta, e à quantidade de frutos, conforme as necessidades de cada cultura;
  • Nutrição da planta: baseada nas taxas diárias de absorção de nutrientes, adequando-a às condições ambientais, às reservas nutricionais do solo e aos sinais apresentados pela própria planta;
  • Adubação verde e rotação de culturas: utilização de adubos verdes cultivados e espontâneos, de forma que a evolução do manejo sobre os espontâneos vise o plantio direto sobre o verde. Em um estágio avançado a rotação de culturas deve incorporar práticas do sistema voisin, caracterizando um sistema integrado de lavoura-pecuária;
  • Diminuição, até a eliminação, do uso de adubos altamente solúveis e de agrotóxicos;
  • Adição superior a 10 toneladas de fitomassa (massa seca) por hectare e por ano nos planos de rotação; revolvimento do solo restrito as linhas de plantio ou berço de semeadura; amostragem estratificada do solo para análise química e acompanhamento evolutivo de seus atributos através do perfil cultural do solo;
  • Diminuição do custo de produção e ambiental, sem diminuir a produtividade das culturas;
  • Seleção de sementes adaptadas às condições ambientais da região; 

Na prática, existe uma inter-relação entre os eixos da ciência e da educação, em especial nas lavouras de estudo (LEs). As LEs são espaços reservados em uma propriedade para a implantação do SPDH. Nelas, são realizados os estudos, a produção de hortaliças e a socialização de conhecimento, abrangendo os aspectos comercial, científico e pedagógico. A implantação de uma LE e a incorporação dos primeiros passos para o estabelecimento do sistema de plantio direto para hortaliças são obtidos através da: (1) amostragem estratificada do solo para análise química; (2) Correção do pH e nutrientes; (3) identificação e eliminação de camada compactada no perfil do solo; (4) sistematização do terreno se necessário e; (5) semeadura do kit de adubos verdes para posterior plantio na palhada. Outros fatores podem ser adicionados à composição dessas práticas iniciais, levando sempre em consideração a rigidez nos princípios e adoção de soluções que visem à saúde das plantas.

As LEs são o primeiro passo para o desenvolvimento de uma nova maneira de produção de alimentos, e contribuem para que as famílias que acompanham e participam no processo, possam expor suas dificuldades, trabalhar seus medos e incertezas, e despertar a necessidade de um replanejamento das propriedades e do processo produtivo. Após avaliar o desempenho do plantio de hortaliças nas LEs e verificado o potencial de replicação, ocorre a expansão do SPDH para os demais espaços de cultivo da propriedade. Esse processo é facilitado pela construção entre as famílias e a equipe técnica, de um planejamento integrado de toda a propriedade, levando em conta os fatores produtivos sociais e ambientais, seguindo os princípios orientadores, já praticados e incorporados pelas famílias nas LES. Neste planejamento é definida, a partir das atividades comerciais desenvolvidas pela família, a forma com que serão conduzidas as lavouras e criações a curto, médio e longo prazo, respeitando o ritmo de compreensão e de adoção de tecnologias de cada individuo até que toda propriedade esteja conduzida em SPDH.

O SPDH tem a preocupação de construir um caminho de transição do modelo de agricultura convencional para uma que produza alimentos limpos de agroquímicos, dentro do enfoque pedagógico de inclusão social. Assim, o SPDH através de suas bases técnicas, fundamentos e perspectivas têm produzido e adaptado conhecimentos para a olericultura, fruticultura e a produção de grãos, além do manejo com animais de forma integrada e sistêmica nas propriedades, proporcionando também a produção limpa de carne e leite e outros produtos de origem animal.

 

4 - RESULTADOS ALCANÇADOS

Os principais resultados obtidos através do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) foram organizados em: resultados estruturantes e resultados específicos. 

Resultados Estruturantes:

  • Mais de 1200 agricultores utilizam o SPDH no Estado de Santa Catarina, cobrindo uma área superior a 3 mil hectares;
  • A condução das lavouras em SPDH proporciona melhoria na qualidade e na uniformidade das plantas, com diminuição média de 35% nas perdas por questões de padrão de qualidade e produção;
  • Os trabalhos de pesquisa no SPDH orientaram a readequação das tabelas de recomendação de adubação para hortaliças publicadas no Manual de Adubação e Calagem para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com impacto direto na economia de insumos usados pelos agricultores;
  • A utilização de plantas de cobertura promove proteção da superfície do solo contra o impacto das gotas da chuva, reduzindo a erosão hídrica e, consequentemente, a perda de matéria orgânica e nutriente, diminuição da incidência de plantas espontâneas e o aumento do armazenamento de água no perfil do solo;
  • O enriquecimento na qualidade e na vida dos solos cultivados em SPDH é observado através do rápido incremento de matéria orgânica com adição anual de, no mínimo, 10 t M.S./ha-1 através da fitomassa de plantas de cobertura mantida na superfície do solo, promovendo, de forma rápida, a incorporação de grande quantidade de carbono no solo;
  • As taxas de infiltração de água no solo cultivado em SPDH chegam a ser três vezes maiores que no sistema convencional, eliminando problemas com erosão e melhorando a disponibilidade de água para as plantas;
  • Redução média de 80% no uso de água para irrigação;
  • O uso permanente de plantas cultivadas ou espontaneas nas áreas de cultivo promove um processo de “sanfonamento” do solo, melhorando as condições físicas do mesmo, assim como a ciclagem permanente de nutrientes;
  • Os alimentos produzidos no SPDH chegam ao consumidor com maior valor biológico, impactando positivamente na segurança alimentar das comunidades catarinenses. 

Resultados Específicos:

Cadeia produtiva do tomate:
- 250 produtores adotando o sistema;
- Redução em 70% no uso de máquinas e implementos;
- Redução em 60% do uso de fungicidas;
- Redução de 100% do uso de herbicidas;
- Redução de 60% do uso de adubos químicos;
- Manutenção da produtividade quando comparado ao sistema convencional;
- Aumento na renda em torno de 50%. 

Cultivo de cebola:
- 700 produtores adotando o sistema;
- Diminuição em mais de 70% uso de máquinas e implementos;
- Redução de 60% do uso de adubo químico;
- Diminuição em mais de 40% no uso de fungicidas;
- Aumento, em média, de 60 dias de armazenagem do bulbo mantendo sua qualidade.
- Aumento na renda em torno de 30%. 

Cultivo do chuchu:
- 180 produtores adotando o sistema;
- Houve redução de 100% no uso de herbicidas
- Redução de 100% no uso de fungicidas;
- Diminuição de 80 % no uso de inseticidas
- Redução de 70% no uso de adubos químicos,
- Em propriedades de Anitápolis, houve um incremento de seis toneladas de carbono por hectare por ano, com a evolução da matéria orgânica de 0,9% para 4,1% num período de seis anos;
- Após cinco anos de aplicação do SPDH registrou-se o aumento de 100% na produtividade quando comparado ao método convencional;
- Aumento na renda em torno de 100%. 

Cultivo de brássicas (couve, repolho e brócolis):
- 120 produtores adotando o sistema;
- Quando comparado ao sistema convencional a redução no uso de adubos foi de 60%;
- Diminuição no uso de herbicida e inseticidas em 70%;
- Redução de 100% no uso de fungicidas, bactericidas e nematicidas 100%;
- Em lavouras de brócolis foi possível observar um incremento médio de quatro toneladas de carbono por hectare por ano;
- Aumento na renda em torno de 60%. 

Cultivo de melancia e moranga:
- 220 produtores adotando o sistema;
- Houve redução de 80% no uso de herbicidas;
- Diminuição de 50% no uso de inseticidas e 80% no uso de fungicidas;
- Aumento médio de 30% na produtividade;
- Aumento na renda em torno de 40%.

 

5 - RECURSOS NECESSÁRIOS

Para a implantação e continuidade do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) são necessários:

 

Recursos Humanos

  • Para realizar a implantação do SPDH é necessário um grupo de trabalho com conhecimento e motivação, formado por pesquisadores, extensionistas e famílias de agricultores interessadas em mudar uma realidade. Uma vez identificada a área da implantação, é necessário o acompanhamento periódico de um técnico para a implantação e orientação do sistema produtivo em 1ha de SPDH.  

Recursos materiais 

  • Assim como os recursos humanos, os recursos materiais variam conforme as condições da área e o nível de conhecimento técnico sobre a realidade da região;
  • Suporte técnico-científico: apoio logístico de laboratórios para análises de solos e tecido vegetal, conhecimento empírico e cientifico da ecologia local sobre o manejo da flora e fauna do ecossistema especifico que abriga os cultivos de interesse econômico;
  • A campo: equipamentos e máquinas adaptadas ao plantio direto em palhada densa. Caso necessário, aquisição de sementes de plantas de cobertura adaptadas e ou crioulas/nativas da região.

 

6 - TRANSFERÊNCIA 

 

As primeiras pesquisas e experimentos em SPDH foram realizadas no ano de 1998 na Estação Experimental da Epagri em Caçador-SC. No ano de 2001, também no munícipio de Caçador, foram instaladas cinco lavouras para observação. Os resultados positivos, aliado aos desgastes do sistema convencional, despertaram interesse dos produtores locais. Através da metodologia de construção participativa, os próprios agricultores passaram a capacitar outros agricultores. Nesse processo, as Lavouras de Estudo são unidades de referência, sendo que as avaliações e resultados das pesquisas são apresentadas e discutidas com a comunidade por meio de trabalhos científicos, boletins didáticos e eventos de extensão. Também servem de referência para receber diferentes profissionais que desejam conhecer o sistema e as tecnologias desenvolvidas. 

Entre os anos de 2013 a 2016 foram recebidas mais de 150 excursões de agentes de ATER, agricultores, estudantes e pesquisadores de diferentes regiões do Estado, do Brasil e até mesmo do exterior, totalizando mais de 3.000 pessoas que visitaram as Lavouras de Estudo. No Estado de Santa Catarina, o SPDH já foi implantado nas regiões da Serra Catarinense, Litoral, Sul, Oeste, Extremo Oeste e Alto Vale do Itajaí, totalizando mais de 35 municípios. A prática possuí alto grau de replicabilidade, visto que a produção de hortaliças é uma característica comum na agricultura familiar. 

 

7 -LIÇÕES APRENDIDAS

 

O SPDH tem trazido avanços na adoção de metodologias participativas, na construção coletiva, na apropriação do conhecimento por parte dos técnicos e agricultores e na organização das famílias. Também promove espaços para reflexões e demonstra a necessidade de uma nova postura do serviço público de pesquisa e extensão, comprometido com a produção de alimentos limpos e saudáveis e empenhado na construção de um modelo de desenvolvimento rural com bases agroecológicas que valoriza a qualidade de vida dos agricultores e consumidores. Quanto ao aprendizado, as famílias e os técnicos incorporam os novos conhecimentos em seu dia a dia, compreendendo os motivos que levam à redução no uso de insumos e a melhoria na qualidade dos alimentos sem perda de produtividade. O processo metodológico que envolve a construção coletiva do “contrato de trabalho”, partindo da reflexão da realidade de cada um e da comunidade, assim como a implantação das LEs nas propriedades onde todos acompanham o processo de pesquisa e resultados alcançados, tem contribuído para a adoção das tecnologias de forma rápida e consistente.

Em vários momentos há necessidade de buscar apoio da pesquisa clássica conduzida nas Estações Experimentais, onde são desenvolvidos trabalhos e estudos específicos e aprofundados sendo, posteriormente apresentados e discutidos em dias de campo, em congressos científicos, em capacitações dos envolvidos e nos encontros estaduais onde são apresentados as tecnologias desenvolvidas e os resultados alcançados.

Dentre as principais dificuldades e obstáculos na implantação do SPDH podemos citar: falta de equipes de assistência técnica capacitadas para lidar com a complexidade que envolve o processo, principalmente profissionais que entendam a dinâmica de promoção de saúde de planta; a dificuldade dos produtores em trabalhar planejamento de propriedade, e de compreensão dos processos naturais como promotores de condições favoráveis aos cultivos; dificuldade de encontrar sementes de plantas de cobertura, principalmente leguminosas de verão; pouca oferta e ineficiência de maquinas para plantio direto, principalmente para pequenas propriedades; grande pressão da iniciativa privada, devido à redução no uso de insumos químicos.

  

8 -ORIGINALIDADE DA PRÁTICA

A abordagem agronômica necessária no SPDH é inovadora e reúne conhecimentos de forma sistêmica com o objetivo da promoção da saúde de plantas e a maior autonomia dos agricultores.

  

 

 

Visitação: a melhor época para visitar a prática é de outubro a dezembro. Após agendamento, podem ser recebidos até 50 participantes por visita.

 

 

Assessoria Técnica e Editoração
Eng. Carlos Biasi - Oficial de Programas da FAO/ONU para a Região Sul do Brasil. 
Msc. Felipe Jhonatan Alessio - Assistente de Programas da Unidade de Coordenação de Projetos da FAO/ONU no Sul do Brasil.

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Objetivando dinamizar o processo de comunicação junto aos produtores de soja na região de Londrina, no ano de 2015 a EMATER-PR implementou o uso de rede social na assistência técnica e extensão rural. De posse das informações recebidas sobre a ocorrê ...

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Diversificação Produtiva Local Através do Desenvolvimento da Cultura da Banana (06 A)

Diversificação Produtiva Local Através do Desenvolvimento da Cultura da Banana (06 A)

A partir dos desafios surgidos com o declínio de culturas regionais tradicionais, este projeto possibilitou aos agricultores familiares do Município de Novo Itacolomi, Estado do Paraná, a diversificação produtiva através da introdução da cultura da b ...

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 Produção de Leite a Base de Pasto Utilizando Manejo Rotativo nas Pastagens (29 A)

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A cadeia produtiva do leite no Estado de Santa Catarina está alicerçada em diferentes sistemas produtivos, que por sua vez são identificados através do manejo e fonte da alimentação animal, nível tecnológico e da produtividade obtida. Dentre os siste ...

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Produção Integrada de Cebola para o Estado de Santa Catarina - PIC (13 A)

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O projeto de Produção Integrada de Cebola - PIC tem por objetivo o desenvolvimento de pesquisas e ações de extensão rural que orientem os produtores para o uso das Boas Práticas Agrícolas e adoção da produção integrada na cultura da cebola, atividade ...

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Projeto Grãos - Centro Sul de Feijão e Milho (18 A)

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Os cultivos do feijão e do milho são tradicionais na agricultura familiar da região Centro-Sul do Paraná, contribuindo na formação da renda nas propriedades através da venda dos grãos e na transformação em carne, leite e derivados. O Projeto Grãos - ...

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Projeto Vitória: Assistência Técnica para Produção Leiteira (02 A)

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O Projeto Vitória baseia-se no desenvolvimento de uma estratégia metodológica que parte da realidade da propriedade rural, propõe desafios para aumentar a produção de leite, produtividade e renda, através de tecnologias já validadas, avaliadas in loc ...

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